Seu dinheiro, sua regra: como o freelancer pode declarar seus ganhos sem cair na malha fina – Limite Alto
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Seu dinheiro, sua regra: como o freelancer pode declarar seus ganhos sem cair na malha fina

Evite dores de cabeça com o fisco e mantenha sua carreira decolando.

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Ser freelancer é ter a liberdade de definir seus próprios horários, escolher os projetos que deseja executar e trabalhar de onde quiser. Contudo, essa flexibilidade vem acompanhada de responsabilidades que muitos profissionais independentes ignoram ou negligenciam — principalmente quando o assunto é declarar os rendimentos para a Receita Federal.

Diferente de um trabalhador com carteira assinada, o freelancer não tem o imposto retido na fonte automaticamente, o que exige uma organização muito maior para não cair na malha fina ou acabar pagando multas desnecessárias. A seguir, vamos entender como declarar sua renda como freelancer e evitar os erros mais comuns nesse processo.

Entenda seu regime de tributação e qual é o melhor para você

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A primeira etapa para lidar com os impostos como freelancer é compreender como a Receita Federal enxerga sua atividade. Se você é um profissional autônomo que presta serviços para pessoas físicas ou jurídicas sem vínculo empregatício, está obrigado a declarar os rendimentos recebidos ao longo do ano.

Nesse cenário, é possível optar por duas formas principais de atuação: como pessoa física ou como pessoa jurídica, por meio da abertura de um CNPJ. A escolha entre uma e outra deve levar em conta o volume de rendimentos, a frequência dos trabalhos e o seu planejamento financeiro a longo prazo.

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Declarar como pessoa física significa que você será tributado pela tabela progressiva do Imposto de Renda, que varia conforme o valor total recebido no ano. Isso pode ser vantajoso para quem fatura pouco, mas se seus ganhos ultrapassam determinados limites, essa modalidade pode se tornar mais cara.

Além disso, ao atuar como pessoa física, o freelancer precisa preencher o carnê-leão mensalmente e recolher o imposto devido até o último dia útil do mês seguinte ao recebimento. Essa obrigação costuma ser ignorada por muitos, o que resulta em atrasos, juros e penalidades.

Já a atuação como pessoa jurídica oferece uma carga tributária muitas vezes menor, especialmente se você optar pelo Simples Nacional ou se enquadrar como MEI (Microempreendedor Individual). No caso do MEI, o pagamento mensal é fixo e simplificado, englobando INSS e tributos municipais e estaduais, o que facilita a organização e o controle.

No entanto, há um limite de faturamento anual para se manter no MEI, e algumas atividades não são permitidas. Para profissionais que ultrapassam esse teto, o Simples Nacional pode ser uma alternativa interessante, pois oferece alíquotas reduzidas e simplifica o pagamento de tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia.

Como fazer a declaração anual do imposto de renda corretamente

Independentemente do regime escolhido, todo freelancer que tenha recebido rendimentos tributáveis acima do limite estabelecido pela Receita Federal deve entregar a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) dentro do prazo estipulado. O não envio ou o envio fora do prazo pode acarretar multa mínima de R$ 165,74, além de outras penalidades conforme o valor declarado.

O primeiro passo para isso é manter um registro rigoroso de todos os ganhos recebidos ao longo do ano, seja por meio de notas fiscais emitidas, recibos ou extratos bancários. Essa organização é fundamental para preencher a declaração com exatidão e comprovar a origem dos rendimentos caso a Receita exija esclarecimentos.

Para quem declara como pessoa física, é essencial que os dados informados no carnê-leão ao longo do ano sejam exportados corretamente para o programa da declaração anual. O próprio sistema da Receita oferece essa funcionalidade, o que facilita o preenchimento. Isso garante que os valores declarados estejam alinhados com os registros da Receita, reduzindo o risco de cair na malha fina.

Além dos rendimentos, é importante declarar todas as despesas dedutíveis, como gastos com educação, saúde e previdência, que podem reduzir a base de cálculo e, consequentemente, o valor do imposto a pagar. Se você contratou outro profissional para auxiliar em seus projetos, pode lançar esses pagamentos como despesas com prestadores de serviço, desde que possua os comprovantes adequados.

Freelancers que atuam como MEI ou como empresa optante do Simples Nacional devem declarar o pró-labore recebido — ou seja, a remuneração do sócio — como rendimento tributável. Já os lucros distribuídos, quando apurados corretamente, são isentos e devem ser informados na ficha de rendimentos isentos e não tributáveis.

Vale destacar que empresas também precisam apresentar suas próprias obrigações fiscais, como a DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais) no caso do Simples Nacional, o que exige o acompanhamento de um contador ou o uso de plataformas especializadas para evitar erros.

Principais erros que causam multas e como se prevenir

O desconhecimento ou a desatenção com as obrigações fiscais costuma ser o principal fator que leva freelancers a problemas com a Receita. Um dos erros mais comuns é não declarar os rendimentos recebidos de pessoas físicas, o que acontece com frequência quando o profissional presta serviços informais ou não emite recibos.

A Receita cruza dados bancários e de movimentações financeiras, e discrepâncias entre o que você declarou e o que entra na sua conta chamam atenção. Isso pode resultar em multas que variam de 20% a 150% do valor devido, além de juros e inclusão do CPF em situação irregular.

Outro deslize recorrente é esquecer de recolher mensalmente o carnê-leão. Mesmo que você vá fazer o acerto só na declaração anual, os valores não pagos ao longo do ano são corrigidos com multa e juros, e essa pendência fica registrada no sistema da Receita. Manter esses pagamentos em dia demonstra organização financeira e evita surpresas desagradáveis no momento da declaração.

O ideal é incluir o preenchimento do carnê na sua rotina mensal, aproveitando para manter uma planilha de controle de receitas e despesas atualizada. Hoje em dia, existem plataformas digitais que integram suas entradas financeiras e ajudam a calcular o imposto automaticamente, o que reduz as chances de erro humano.

Também é importante prestar atenção à correta classificação das despesas dedutíveis. Nem todo gasto pode ser abatido do imposto, e inventar ou inflar despesas pode acabar gerando autuações. Se você tem dúvidas sobre o que pode ou não ser declarado, o mais prudente é consultar um contador ou buscar ajuda de fontes oficiais da Receita.

A falta de conhecimento não é aceita como justificativa em caso de erro ou omissão, e contar com orientação especializada pode ser o diferencial para manter sua regularidade fiscal em dia sem comprometer seus ganhos. Contadores ou plataformas de gestão para autônomos podem ajudar a simplificar esse processo e garantir mais segurança na entrega da declaração.

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